Conceito de Vigilância Tecnológica


  • O Observatório Colombiano de Ciência e Tecnologia (OCyT) publica uma obra colaborativa de referência sobre vigilância tecnológica e competitividade sectorial: lições e resultados de cinco estudos (2007). Foi resultado da investigação “Criação e implementação de cinco unidades sectoriais de vigilância tecnológica em Bogotá e Cundinamarca”, realizada com o apoio financeiro de COLCIENCIAS, Câmara de Comércio, OCyT, CINNCO e centros de desenvolvimento tecnológico.

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A Vigilância Tecnológica e a Inteligência Competitiva ajudam a priorizar dados relevantes e informação estratégica para o desenvolvimento competitivo duma organização. Para consegui-lo, resulta importante conhecer os fundamentos conceituais que orientam a sua prática; termos e definições que ajudam a compreender e aproveitar eficientemente os benefícios duma gestão eficaz da informação científica e tecnológica.

Não existe um único tipo de vigilância e são numerosos os autores que têm contribuído ao debate sobre definições de vigilância, propostas de modelos de gestão, instrumentos e experiências; e têm construindo um amplo âmbiente teórico sobre esta disciplina, sintetizado aqui:

"A vigilância estratégica, como ferramenta de gestão da inovação, é o processo integral, ético e legal de geração e o tratamento de ideias aplicáveis ao desenvolvimento de novos produtos, serviços ou processos, ou na melhora dos já existentes”. Implica todas as áreas da corrente de valor da organização e etapas do ciclo de vigilância, desde “a vigilância do meio (procurar, recolher e analisar a informação que consideramos relevante para a nossa organização) à exploração da informação (distribuir e utilizar a informação de maneira que nos permita a tomada de decisões).

Esta visão integral identifica quatro modalidades de vigilância estratégica: tecnológica (tecnologias disponíveis e emergentes), competitiva (competidores), comercial (produtos, mercados e provedores) e de o meio (socio-económica, política, meio-ambiental, legislação, etc.).

Fonte: “Guía de Vigilancia Estratégica. Proyecto Centinela”. Fundación PRODINTEC, 2010".

A gestão estratégica de a informação científico-tecnológica resulta cada vez mais importante para inovar e sobreviver num meio complexo e cambiante como o atual. Assim, a vigilância tecnológica é uma ferramenta essencial para detectar oportunidades de inovação tecnológica e novas ideias que facilitem uma melhora de processos, produtos e serviços na organização.

Em 2006 publica-se a Norma UNE 1666006:2006 EX, que define o processo de vigilância tecnológica como uma forma “organizada, selectiva e permanente de captar informação do exterior sobre tecnologia, a analisar e a converter em conhecimento para a tomada de decisões com menor risco e poder antecipar-se às mudanças”. Uma meta que converte a esta numa guia para sistematizar práticas, criar unidades de vigilância tecnológica em organizações e permitir a sua certificação.

As patentes são uma das principais fontes de informação na prática daVigilância Tecnológica, 70% da literatura sobre tecnologia faz-se através de patentes. Estas proporcionam à organização uma informação relevante, detalhada e anticipatoria sobre o aparecimento de novos produtos ou tecnologias no mercado. Além disso, são documentos normalizados a nível internacional.

Mais informação: Vigilância Tecnológica

A vigilância activa ou monitoring é um tipo de vigilância que consiste em estabelecer um procedimento de procura de informação regular sobre uma necessidade de informação previamente definida. Em muitos casos costuma corresponder à pesquisa de informação pontual sobre um determinado tema.

A vigilância passiva ou scanning é um tipo de vigilância que consiste em descobrir informação de interesse para a empresa em diferentes fontes de informação. Habitualmente, a informação chega de maneira permanente através de terceiros.

Existem serviços de vigilância pasiva orientados a sectores específicos. Um exemplo é o Serviço de Vigilância Passiva do Serviço Agrícola e Ganadeiro de Chile (SAG). Este Programa está conformado pela recepção e atenção de denúncias de possíveis doenças e patologias transmisíveis que afectam aos animais, o que se complementa com a informação obtida desde plantas e laboratórios privados. Tem alcance nacional e é um dos componentes do Sistema de Vigilância Epidemiológica que mais informação proporciona, já que fornece dados que servem para respaldar o status sanitário do país.

A inteligência competitiva é o “processo de obtenção, análise, interpretação e difusãon de informação de valor estratégico sobre a indústria e os consumidores que se transmite aos responsáveis pela tomada de decisões no momento oportuno” (Gibbons e Prescott, 1996).

A vigilância tecnológica está relacionada com a inteligência competitiva mas são dois conceitos diferenciados. A vigilância tem o papel de deteção e enfoca-se no seguimento da evolução da tecnologia e os seus envolvimentos, enquanto que a inteligência liga o saber da organização com a acção, tomando como missão o posicionamento estratégico da organização a partir da exploração eficiente da informação.

Fuente: “Modelos de vigilância tecnológica e inteligência competitiva”. BAI, Agencia de Innovación".

Trata-se de "previsão a meio e longo prazo da evolução das tecnologias, consiste na descrição das expectativas lógicas de desenvolvimento baseadas nos estudos de especialistas tecnológicos (...) e apoia-se em estudos técnicos de projeção do presente para o futuro num plano estritamente científico-tecnológico”. Contempla dois tipos de métodos de previsão tecnológica: métodos projetivos e métodos prospetivos :

O capítulo IV da Norma UNE 1666006:2006 EX corresponde à Previsão Tecnológica. O Blog YoEmprendo ilustra-nos com um exemplo prático de processo de previsão tecnológica dentro da norma UNE.

Fonte: “Introdução à prospetiva: metodologias, fases e exploração de resultados”. Rodríguez, J., 2001".

Para que a vigilância seja efectiva a gestão da informação tem de ser selectiva e precisa. Os Factores Críticos de Vigilância (FCV) identificam as necessidades de informação da organização, e são definidos como “factores externos à organização que afectam de modo crítico a sua competitividade”. Determinam-se para cada atividade da corrente de valor da organização e, para melhorar a precisão, costumam ir acompanhados de descriptores, palavras chave, prioridade, horizonte temporal, etc..
Fonte:: “Vigilancia tecnológica e inteligencia competitiva para SEM-SEO” [em linha]. Hipertenext.com 2008".

A Gestão da Informação refere-se a “aqueles processos que se levam a cabo para capturar, classificar, preservar, recuperar, compartilhar e difundir a informação que gera, recebe e/ou adquire uma organização” (Sánchez, 2006). Compõe-se de uma série de grupos de atividades, que são:

Fonte: “Gestión de la información para la innovación tecnológica agropecuaria”. Palmieri, V. & Rivas, L. 2007".

Segundo a OCDE, "a prospetiva consiste em tentativas sistémicas para observar a longo prazo o futuro da ciência, a tecnologia, a economia e a sociedade, com o propósito de identificar as tecnologias emergentes que provavelmente produzam os maiores benefícios económicos e sociais».

A prospetiva tecnológica, além de sustentar-se na previsão tecnológica, baseia-se nas opiniões dos especialistas e engloba um conjunto de métodos e ferramentas que facilitam e sistematizam a reflexão coletiva sobre o futuro e a construção de palcos possíveis para desenhar ações estratégicas. Em soma, não trata de predizer o futuro, senão de ajudar ao construir. Entre as metodologias mais empregadas destacam: o Método Delphi, Scanning, painéis de especialistas, painéis de cidadãos, DOFA, etc.

Fonte: "Manual de prospectiva tecnológica. Conceptos y práctica". Geroghiou, L., Cassingena, Keenen, M., Miles, I..& Popper, R. 2010.